<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37365835</id><updated>2011-09-03T06:56:31.245-03:00</updated><title type='text'>Mendigo de Luxo</title><subtitle type='html'>Eu me arrastando pelos cantos dos cantos que passo e somente passo. Vida oca não é pra qualquer um, adquire-se um dom de mendigo, vagabundo, pra se lixar pra inutilidade pública do próprio eu. Embora a farda de errante me pareça ajustada, este semblante me foi posto sob olhares conversadores: os meus próprios. Meus olhos injustos. E os seus também.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://mendigando.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37365835/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mendigando.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Matheus Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04453269530148371217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/3143/4196/200/tudo%20013.0.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>2</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37365835.post-116345793239828904</id><published>2006-11-13T20:11:00.000-02:00</published><updated>2006-11-15T04:18:16.060-02:00</updated><title type='text'>Sinal verde</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Matheus Costa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3143/4196/1600/paixao.0.gif"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3143/4196/320/paixao.0.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ali seu Zé cantarolava&lt;br /&gt;Assobiava um samba&lt;br /&gt;E descansava o pé sobre o poste&lt;/span&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3143/4196/1600/paixao.gif"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto esperava o sinal fechar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D'outro lado dona Maria&lt;br /&gt;Pensava nas unhas&lt;br /&gt;E ajeitava a saia curtinha&lt;br /&gt;Que os carros ajudavam a subir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num arruma-arruma do que olhar&lt;br /&gt;As coxas brasileiras da Maria&lt;br /&gt;Deram força ao samba do Zé&lt;br /&gt;Embaladas num molejo discreto e safadinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das coxas facinho subiu pros seios&lt;br /&gt;E pra boca e pros olhos&lt;br /&gt;Um amor quase à primeira vista&lt;br /&gt;– Das coxas pros olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se olhando continuaram&lt;br /&gt;Disfarçando o sorriso&lt;br /&gt;Dos olhos risonhos&lt;br /&gt;– Eles já podiam se casar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, num súbito de sede e cegueira&lt;br /&gt;Sem desgrudar os olhos dos olhos&lt;br /&gt;A Maria confiou no Zé&lt;br /&gt;Que confiou na Maria primeiro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessaram a rua assim&lt;br /&gt;Se olhando e se olhando&lt;br /&gt;E torcendo por um esbarrão&lt;br /&gt;Que acabou um caminhão por fazer.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37365835-116345793239828904?l=mendigando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mendigando.blogspot.com/feeds/116345793239828904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37365835&amp;postID=116345793239828904&amp;isPopup=true' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37365835/posts/default/116345793239828904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37365835/posts/default/116345793239828904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mendigando.blogspot.com/2006/11/sinal-verde.html' title='Sinal verde'/><author><name>Matheus Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04453269530148371217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/3143/4196/200/tudo%20013.0.jpg'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37365835.post-116301046475408752</id><published>2006-11-08T16:19:00.000-02:00</published><updated>2006-11-15T04:12:08.366-02:00</updated><title type='text'>O susto do gato</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Matheus Costa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Os pensamentos flutuavam enquanto ela trancava a porta e saia ligeiramente atrasada para encontrar um bonitinho, mas ainda sem pressa. Mal e mal pensava – eram as idéias que despontavam dos fiapos de sensação. Digo, aquela texturinha saliente na porta, como houvera acontecido? “É a ótica do ouvido”, se dizia e ouvia e repetia, na mesma entonação intelectual a qual escutara noite atrás em um bar café. Não entendera o sentido, mas, impiedosa, a frase deixara-lhe os dentes: martelava-lhe a cuca ali, logo assim que a mente descansou. Happy Hour dos neurônios – riu debochada e seguiu para o elevador.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Mas, não sem antes passar pelo corredor, quando reparou numa garoa fina e saiu do transe – Chuva de novo, merda! Espremeu os olhinhos de jabuticaba para confirmar as gotas, mas não houve tempo – no plano de fundo havia um prédio, no prédio havia janelas e em uma delas havia um gato branco –: abstraiu-se novamente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Um espírito de porco foi o que a conduziu ao devaneio outra vez. Já nem se lembrava do atraso, só queria levantar o gato dali. Queria pois queria, não era ato de salvação, era desejo latente de cruzar a vida do bicho e, quem sabe, causar certa mudança – pura crise de Amelie Poulain. Maldade não era, mas bondade tão pouco podia ser: era o sétimo andar – um fôlego pra cada andar, se é que ele ainda tinha os sete. E se o bichano caísse dali? Ela que não se passasse por desavisada – sei bem que ela ponderou a cena.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Mordiscou e sugou o lábio de baixo, dando um estalinho de desfecho. Aí, puxou os cabelos para trás e olhou para os lados: ninguém a vista, ela podia se divertir. Fitou o gato sentado e parado e ainda sem movimento, paralisou-se também, como uma serpente que se prepara ao bote, e – RÁ! –, gritou abrindo os braços e as pernas em um pulo pra frente. Como diz o outro, nem um piu do gato, que a fitava de volta. E nem se soubesse piar, o atrevido continuava insosso. Reconstitui-se a mulher, fez que não fez nada e, em um girinho, viu que não viram o que ela havia tentado fazer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Safado, disse quem dos dois sabia dizer, e não se deu por vencida. Fingiu que pegava algo no chão e tomou fôlego e um pouco de distância para tacar. Bicharia é tudo igual e, ora, se a técnica funcionava com pombos, não havia razão para esse bichinho caseiro negá-la. Em gestos largos, projetou a mão esquerda para frente na linha dos seios e a direita para trás e para o alto, ambos os punhos cerrados. Apontou o pé esquerdo para frente e, num raio de movimento, jogou nada no gatinho. Nada obteve, nem esboço de reação do ferrenho animal que nada entendia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Ah, mas agora a revolta pululava e que se danasse o gatinho que lhe esperava no encontro marcado. Ela faria aquele felino sair da janela, causasse o que causasse, custasse o que custasse. Tomou de mãos trêmulas a chave do apartamento e a meteu na fechadura quase errando de mira, tão nervosa estava. Abriu a porta no empurrão e seguiu em direção ao quarto, deixando escancaradas as portas e a bagunça por onde passava.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Procurava uma bolinha, um pedregulho, uma flecha, um tijolo, mas uma meia de frio enrolada lhe coube bem entre os dedos. Pegou três de uma vez, sabia que força e mira não combinavam bem e que, se dependesse da paciência para voltar e buscar mais, atirava-se ela mesma no infeliz. Nunca alguém havia sido tão indiferente com ela e jamais alguém voltaria a ser. Voltou sem fechar as portas que havia aberto na busca da arma e alinhou a munição uniformemente na sacada: verde musgo, preta e marrom – cores de guerra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Fez piedade da primeira bala. Atirou-a próximo à janela, de propósito, num surto de receio que lhe deu de machucar aquele pacífico ser. Bola bateu, caiu e quicou, enquanto o gato a olhava paralisado, sem entender o porquê daquilo. Ela, tiritando de raiva, desistiu de dar chance: pegou a bola verde musgo e, sem rodeio, acertou-lhe de uma pedrada só – TUM! E foi assim que acabou o júbilo do bicho branco, que bateu com a cabeça no vidro da janela e voltou para frente, despencando sete andares com a falta de expressão característica dos gatos de pelúcia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37365835-116301046475408752?l=mendigando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mendigando.blogspot.com/feeds/116301046475408752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37365835&amp;postID=116301046475408752&amp;isPopup=true' title='34 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37365835/posts/default/116301046475408752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37365835/posts/default/116301046475408752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mendigando.blogspot.com/2006/11/o-susto-do-gato.html' title='O susto do gato'/><author><name>Matheus Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04453269530148371217</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/3143/4196/200/tudo%20013.0.jpg'/></author><thr:total>34</thr:total></entry></feed>
